Sabotando tumores

Quem tem ou teve algum parente com câncer já deve ter sentido uma vontade enorme de dar o troco nessa doença terrível. O problema é que cada câncer pode ter uma origem molecular diferente e pode não responder aos mesmos tratamentos. Ainda, os tumores possuem a capacidade de escapar da vigilância do sistema imune, por diversos mecanismos, tirando a chance do nosso corpo se defender sozinho. No entanto, uma pesquisa demonstrou que é possível sabotar diversos tipos de tumores, de forma que eles sejam atacados pelo sistema imune.

Sabotando os tumores! 😈 Quem tem ou teve algum parente com câncer já deve ter sentido uma vontade enorme de dar o troco nessa doença terrível. O problema é que cada câncer pode ter uma origem molecular diferente e pode não responder aos mesmos tratamentos. Ainda, os tumores possuem a capacidade de escapar da vigilância do sistema imune, por diversos mecanismos, tirando a chance do nosso corpo se defender sozinho. No entanto, uma pesquisa demonstrou que é possível sabotar diversos tipos de tumores, de forma que eles sejam atacados pelo sistema imune. A grande inovação está na maneira que isso é feito. Os pesquisadores descobriram que a injeção intratumoral de mRNAs que codificam OX40L, IL-36γ e IL-23 levou à regressão do tumor em vários modelos de câncer. Esses RNAs entram nas células do tumor, que passam a expressar essas proteínas com atividade estimuladora do sistema imune. Ainda, a terapía também tornou os tumores suscetíveis a outros medicamentos. O estudo feito em camundongos está agora na primeira fase de um estudo clínico para avaliar a segurança em humanos. Vamos torcer para que eles tenham oque merecem! 😉 Gostou? Curta a página Ciência, Tecnologia e Inovação. e compartilhe. Abaixo o link para o artigo.

Durable anticancer immunity from intratumoral administration of IL-23, IL-36γ, and OX40L mRNAs.

Hewitt SL, Bai A, Bailey D, Ichikawa K, Zielinski J, Karp R, Apte A, Arnold K, Zacharek SJ, Iliou MS, Bhatt K, Garnaas M, Musenge F, Davis A, Khatwani N, Su SV, MacLean G, Farlow SJ, Burke K, Frederick JP.

Sci Transl Med. 2019 Jan 30;11(477). pii: eaat9143. doi: 10.1126/scitranslmed.aat9143.PMID: 30700577

Transplante de fezes

Transplante de fezes?!?! 💩🤢Eca!!! Pode parecer estranho, mas esta é uma abordagem terapêutica que tem se mostrado eficiente em diversas doenças. Um trabalho recém-publicado demonstrou que um grupo de 11 bactérias encontradas no intestino de pessoas saudáveis é capaz de inibir o crescimento do câncer em camundongos, e por incrível que pareça, com um efeito maior que um medicamento considerado um dos mais importantes avanços na área das imunoterapias contra o câncer

Transplante de fezes?!?! 💩🤢Eca!!! Pode parecer estranho, mas esta é uma abordagem terapêutica que tem se mostrado eficiente em diversas doenças. Um trabalho recém-publicado demonstrou que um grupo de 11 bactérias encontradas no intestino de pessoas saudáveis é capaz de inibir o crescimento do câncer em camundongos, e por incrível que pareça, com um efeito maior que um medicamento considerado um dos mais importantes avanços na área das imunoterapias contra o câncer (o anticorpo anti-PD-1 bloqueador de importantes “checkpoints” do sistema imune). O mecanismo de ação seria derivado do efeito das bactérias sobre a indução na produção de linfócitos T citotóxicos CD8+ (um tipo de célula envolvida na morte de células “não bem vindas” no corpo). A descoberta e isolamento das 11 bactérias poderia levar ao desenvolvimento de biomedicamentos probióticos melhorados (similar aos probióticos encontrados em iogurtes e nas misturas de bactérias e outros microorganismos do chamado Kefir). Vale ressaltar, que as bactérias identificadas complementaram os efeitos da droga anti-PD-1, tendo um efeito muito maior juntas, do que em separado. Veja a referência no link abaixo e não esqueça, CURTA e COMPARTILHE a Postagem e nossa Página Ciência, Tecnologia e Inovação. para impulsionar e divulgar.

A gut punch fights cancer and infection.

Reticker-Flynn NE, Engleman EG.

Nature. 2019 Jan;565(7741):573-574. doi: 10.1038/d41586-019-00133-w. No abstract available. PMID: 30683936

“Cell-in-cell” (Entosis): células do câncer canibais

Já ouviu falar em “Cell-in-cell” (ou Entosis)? Esse é um fenômeno análogo ao canibalismo, onde células contendo outra célula em seu interior são observadas, sendo frequente no câncer. Acredita-se que este mecanismo contribuiria com o fornecimento de nutrientes para a proliferação das células agressivas do câncer.

Já ouviu falar em “Cell-in-cell” (ou Entosis)? Esse é um fenômeno análogo ao canibalismo, onde células contendo outra célula em seu interior são observadas, sendo frequente no câncer. Acredita-se que este mecanismo contribuiria com o fornecimento de nutrientes para a proliferação das células agressivas do câncer. Provavelmente você já ouviu falar em morte celular programada (ou apoptose), responsável em grande parte pela morte natural das células de nosso corpo, que estão sendo substituídas por novas células. A apoptose pode ser considerada uma forma de “suicídio celular”, nos casos em que ela é desencadeada por sinais internos da própria célula. No entanto, outras formas de morte celular podem ocorrer em situações patológicas. Por exemplo, células infectadas por vírus morrem quando são atacadas pelo sistema imunológico, neste caso sendo “assassinadas”. Mas existem outras formas de morte celular intrigantes e pouco estudadas que envolvem a internalização de uma célula saudável por uma célula vizinha. No câncer, as células de alguns tipos de câncer (como o melanoma, ou câncer de pele) podem ativamente englobar células do sistema imune, “alimentando-se” de seus nutrientes e favorecendo a proliferação e a progressão do câncer. Outros tipos de câncer (como o de mama) podem interagir com células do mesmo tipo que elas (epiteliais), mas saudáveis. Neste caso (Entosis), as células saudáveis são as que entram nas células tumorais. Também neste caso, os nutrientes servem para alimentar o câncer e, ainda por cima, os cromossomos da célula internalizada podem contribuir para a poliploidia da célula tumoral, conferindo vantagens proliferativas. Clique no link abaixo para acessar uma revisão sobre o assunto. Interessante, não? Curta nossa página e compartilhe.

Consequências do canibalismo e da entosis. O englobamento de uma célula normal por uma célula do câncer, alimenta esta última com nutriente essenciais para que ela continue proliferando, além de poder causar alterações funcionais ou genéticas (ploidias e aneuploidias), conferindo um fenótipo mais agressivo para a célula.

Cell-in-cell phenomena in cancer.

Fais S, Overholtzer M.

Nat Rev Cancer. 2018 Dec;18(12):758-766. doi: 10.1038/s41568-018-0073-9. Review.PMID: 30420767

Imunoterapia de células CAR-T contra o câncer, direto do laboratório para o paciente

Incrível! Já imaginou se pudéssemos ter, pronto para uso, um frasco com células do sistema imune modificadas para atacar um determinado tipo de câncer num paciente? Pois é, um estudo mostrou que isso pode vir a se tornar realidade. A imunoterapia baseada em células T modificadas geneticamente (as CAR-T, das quais falamos na postagem anterior) que já vem curando muitos pacientes com câncer que não tinham mais esperança pode ter seu uso facilitado pela nova abordagem.

Incrível! Já imaginou se pudéssemos ter, pronto para uso, um frasco com células do sistema imune modificadas para atacar um determinado tipo de câncer num paciente? Pois é, um estudo mostrou que isso pode vir a se tornar realidade. A imunoterapia baseada em células T modificadas geneticamente (as CAR-T, das quais falamos na postagem anterior) que já vem curando muitos pacientes com câncer que não tinham mais esperança pode ter seu uso facilitado pela nova abordagem. Na abordagem convencional, as células T tem que ser coletadas de um paciente, modificadas e, em seguida, infundidas de volta no paciente. No entanto, algumas pessoas com câncer não têm células T suficientes para se submeter à terapia. A nova abordagem não depende da coleta de pacientes, tornando estas terapias mais acessíveis e eficazes. O truque é utilizar uma Célula-tronco Pluripotente, ou seja, que consegue dar origem a qualquer tipo de célula do corpo humano. Estas células são modificadas geneticamente, de forma que ela pode originar in vitro as células CAR-T diretamente. A ideia é que as células poderiam ser produzidas em quantidade suficiente e armazenadas para uso imediato para tratar os pacientes. Clique no link abaixo para acessar o artigo original. E não esqueça! Curta nossa página Ciência, Tecnologia e Inovação.

Organoid-Induced Differentiation of Conventional T Cells from Human Pluripotent Stem Cells.

Montel-Hagen A, Seet CS, Li S, Chick B, Zhu Y, Chang P, Tsai S, Sun V, Lopez S, Chen HC, He C, Chin CJ, Casero D, Crooks GM.

Cell Stem Cell. 2019 Jan 4. pii: S1934-5909(18)30601-5. doi: 10.1016/j.stem.2018.12.011. [Epub ahead of print]PMID: 30661959

CAR-T cells: Uma imunoterapia revolucionária contra o câncer

Conheça a imunoterapia com células T modificadas que está curando pacientes com câncer que eram considerados incuráveis. A chamada terapia com células CAR-T (do inglês, chimeric antigen receptor) envolve a coleta de células T de um paciente e sua modificação (por técnicas de engenharia genética) com um receptor que as ajuda a reconhecer e destruir as células cancerígenas. Em seguida, estas células CAR-T são transfundidas de volta para o paciente

Conheça a imunoterapia com células T modificadas que está curando pacientes com câncer que eram considerados incuráveis. A chamada terapia com células CAR-T (do inglês, chimeric antigen receptor) envolve a coleta de células T de um paciente e sua modificação (por técnicas de engenharia genética) com um receptor que as ajuda a reconhecer e destruir as células cancerígenas. Em seguida, estas células CAR-T são transfundidas de volta para o paciente. A abordagem vem sendo comumente usada em neoplasias hematológicas (câncer do sangue), como leucemia linfoblástica aguda (LLA), leucemia linfocítica crônica (LLC), linfoma e mieloma múltiplo (MM), pois todos estes tipos de cancer tem origem em linfócitos B (outro tipo de célula do sangue) que possuem a proteína CD19 em sua superfície. O CD19 serve como antígeno para que o mesmo receptor quimérico possa ser utilizado em todos esses tipos de câncer. Apesar do enorme potencial, as células T projetadas nem sempre funcionam bem e o tratamento é muito caro (podendo custar até um milhão de dólares), porque é feito sob medida para cada paciente. Clique no link abaixo para acessar uma revisão ilustrada de livre acesso explicando a abordagem. E não esqueça! Curta nossa página Ciência, Tecnologia e Inovação.

The application of CAR-T cell therapy in hematological malignancies: advantages and challenges.

Zhao Z, Chen Y, Francisco NM, Zhang Y, Wu M.

Acta Pharm Sin B. 2018 Jul;8(4):539-551. doi: 10.1016/j.apsb.2018.03.001. Epub 2018 Apr 5. Review.PMID: 30109179